sexta-feira, agosto 21, 2009

O sinal (do fim) dos tempos

Eu acordo de manhã e sinto um cheiro estranho no ar. Vou me pegando pra checar se cada parte do meu corpo continua grudada em mim. Faço uma revisão de como terminou a noite: me olho no espelho (olhos borrados, quase uma tela surrealista) e checo a memória pra ver se houve a chance do homem do saco ter posto droga no meu copo. Tudo parece bastante regular, mas o cheiro remanesce. Cogitabunda, beijo os gatos, deixo a casa, ganho a rua quente do inverno soteropolitano e sigo o caminho até o ponto de ônibus.

Nada parece diferente, mas que cheiro é esse? Um cheiro doce. Enjoado. Pego o ônibus e escolho justo o assento onde a esburacada camada de ozônio canaliza não raios, mas flechas pontiagudas de sol sobre este corpo coberto pela preta, cruel e quente indumentária social trabalhística. Até então, nem pista de onde vinha o olor, o odor, o aroma, o cheirinho (que rico nuestro português!), a droga do fedor açucarado que me acordou e segue meu rastro cidade afora. Chego ao escritório e me distraio; checo então os jornais on-line.

E não mais que de repente, EUREKA. Descobri! Madre mia del amor hermoso, como eu não suspeitei? Não consegui ouvir sequer um trote dos quatro cavaleiros do apocalipse, ou os uivos de cães desesperados no mercado do peixe em noite de duas luas? Os círculos de fogo do inferno aquecendo suas caldeiras, maquininhas de fazer demônio a todo o vapor e eu, impassível? Previsões dos astros, bruxas, curandeiras, fadas do mal, nostradamus passaram por mim e eu não vi. Mas lá estava a marca superior da maldade, o sinal definitivo de que os tempos, minhas criancinhas, esses tempos mudaram e que o pior está por vir. E assim ele dizia:


Fãs esgotam primeira edição da biografia do Chiclete com Banana


Pronto, Mundo. Pode se lascar em bandas agora.

5 comentários:

Tequila disse...

Jojô,
Visitei seu Blog e me espantei de não ter trezentos comentários aplaudindo esta última postagem, então descobri que só postastes hoje!!!
O pior é que mesmo esgotada a edição o mau cheiro continua no ar!
Tequila

Nílson disse...

Delícia de texto! Esse Bel Marques tem mesmo cara de cavaleiro do apocalipse. Morreremos todos ao som do chicletão???

Joana Rizério disse...

tia teca:
esse blog já gozou de melhor reputação! hoje é apenas um filho bastardo desta amis bastarda ainda blogueira.

hahahahahahahaha!! qual seria a canção, Nílson? "eu vou voar atrás desse amor/ vou encontrar seja onde for", ou "cabelo raspadinho, estilo ronaldinho, cabelo pintado ou VO"

oh no... são todas muito romanticas, falam do amor e não do apocalipse! hahaha

Anônimo disse...

Adorei

Nyala disse...

ovaçção copiosa e agitada!